MERCADO
DE AÇÕES - FUNDAMENTOS E DEFINIÇÕES
Introdução
Quanto
mais desenvolvida é uma economia, mais ativo é o seu mercado de capitais, o
que se traduz em mais oportunidades para as pessoas, empresas e instituições
aplicarem suas poupanças. Ao abrir seu capital, uma empresa encontra uma fonte
de captação de recursos financeiros permanentes. A plena abertura de capital
acontece quando a empresa lança suas ações ao público, ou seja, emite ações
e as negocia nas bolsas de valores. E você, ao adquiri-las, passa a ser também
"dono" da empresa – um acionista. A abertura de capital é feita
sempre com autorização da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, o órgão
fiscalizador do mercado de capitais brasileiro. As empresas abertas precisam
atender a requisitos definidos na Lei das S.As., para garantir a confiabilidade
e o acesso às suas informações e demonstrações financeiras.
As
Companhias Abertas
Uma
companhia é considerada aberta quando promove a colocação de valores mobiliários
em bolsas de valores ou no mercado de balcão.
São considerados valores mobiliários: ações, bônus de subscrição, debêntures,
partes beneficiárias e notas promissórias para distribuição pública.
Ações:
títulos nominativos negociáveis, que representam, para quem as
possui, uma fração do capital social de uma empresa.
Bônus
de subscrição : Títulos nominativos, negociáveis, que conferem ao seu
proprietário o direito de subscrever ações do capital social da companhia
emissora, nas condições previamente definidas.
Debêntures
: Títulos nominativos, negociáveis, representativos de dívida de médio/longo
prazos contraída pela companhia junto ao credor, neste caso chamado
debenturista.
Outros
Títulos menos usuais: Partes Beneficiárias e Notas Promissórias para
distribuição pública com ampla divulgação.
As
operações de abertura de capital precisam ter autorização da Comissão de
Valores Mobiliários - CVM, o órgão fiscalizador do mercado de capitais
brasileiro, o qual também registra e autoriza a emissão dos valores mobiliários
para distribuição pública. As companhias abertas devem atender a diversos
requisitos, definidos na Lei das S.As. e nas regulamentações da CVM, com o
objetivo de garantir a fidedignidade das informações e demonstrações
financeiras divulgadas.O mercado considera que a plena abertura de capital
ocorre quando há o lançamento de ações ao público, em função das
transformações impostas à empresa e pelo incremento no volume de negócios
com seus títulos.
As
Ações
Ações
são títulos nominativos negociáveis, que representam, para quem as possui,
uma fração do capital social de uma empresa.
Tipos
de ação
As
ações podem ser:
As ações, ordinárias ou
preferenciais, são sempre nominativas, originando-se do fato a notação
ON ou PN depois do nome da empresa.
Podem, ainda, adotar duas formas:
A lucratividade das ações
As ações são chamadas de títulos
de renda variável porque tanto os rendimentos distribuídos ao acionista -
dividendos e bonificações - quanto seu próprio valor não estão
previamente fixados. A lucratividade de uma ação, num determinado período de
tempo, é composta pela variação do preço mais rendimentos e exercício de
direitos, estes dois últimos também chamados de proventos.
O valor da ação
O valor da ação, ou seja seu preço
de compra e venda, é determinado em mercado, variando principalmente em função
do desempenho financeiro verificado ou previsto para a companhia, bem como da
conjuntura econômica doméstica e internacional.
Os dividendos
Os dividendos correspondem à
parcela de lucro líquido distribuída aos acionistas, na proporção da
quantidade de ações detida, ao fim de cada exercício social. A companhia deve
distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado. As ações
preferenciais recebem 10% a mais de dividendos que as ordinárias, caso o
estatuto social da companhia não estabeleça um dividendo mínimo.Se apresentar
prejuízo ou estiver atravessando dificuldades financeiras, a companhia não será
obrigada a distribuir dividendos. Porém, caso tal situação perdure, suas ações
preferenciais adquirirão direito de voto, até que se restabeleça a distribuição
de dividendos.
As bonificações
As bonificações correspondem à
distribuição de novas ações para os atuais acionistas. Excepcionalmente pode
ocorrer a distribuição de bonificação em dinheiro.
As subscrições de novas ações
Os acionistas têm, ainda, preferência
na compra de novas ações emitidas ou direito de preferência na subscrição.
Além de garantir a possibilidade de manter a mesma participação no capital
total, este direito pode significar ganho adicional, dependendo das condições
do lançamento. Por fim, se não exercido, o direito pode ser vendido a
terceiros.
Os Mercados Primário e Secundário
O Mercado Primário
compreende o lançamento de novas ações no mercado, com aporte de recursos à
companhia. Todas as operações de emissão de ações precisam ter autorização
da CVM. É obrigatória a presença do intermediário financeiro-
corretora de valores, banco múltiplo, banco de investimento ou distribuidora.-
que exerce o papel de coordenador da operação.
Uma vez ocorrendo o lançamento inicial ao mercado, as ações passam a ser
negociadas no Mercado Secundário, que compreende mercados de balcão,
organizados ou não, e bolsas de valores.
Operações como a colocação inicial junto ao público de grande lote de ações
detido por um acionista podem caracterizar operações de abertura de capital,
exigindo registro na CVM. Apesar da semelhança com o mercado primário, os
recursos captados vão para o acionista vendedor - e não para a companhia-,
determinando, portanto, uma distribuição no mercado secundário.
As Bolsas de Valores
São os mais importantes centros
de negociação das ações, devido ao expressivo volume e maior transparência
das operações.
Organizadas como associações civis, sem fins lucrativos e com funções de
interesse público, as bolsas atuam como auxiliares da CVM na fiscalização
do mercado (em especial de seus membros - as sociedades corretoras) e têm ampla
autonomia na sua esfera de responsabilidade.
As Clearings – Entidades de
Prestação de Serviços de Liquidação e Custódia
São empresas que se dedicam a
gerenciar sistemas e garantias para a liquidação das operações realizadas em
bolsa e para a custódia - guarda e administração dos valores mobiliários
negociados em bolsa.
A CBLC-Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia foi criada em 19 de
fevereiro de 1998, com a reestruturação patrimonial da BOVESPA. A formação
da CBLC representa uma resposta à necessidade do mercado brasileiro de uma
estrutura moderna e eficiente de clearing, que compreenda atividades
relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para
os mercados a vista, a termo e de opções. A CBLC foi organizada como uma
empresa que permite a participação de uma grande variedade de instituições
fortes e tecnicamente estruturadas, capazes de administrar risco e atuar como
Agentes de Compensação.
As Corretoras de Valores
São instituições financeiras
membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central, pela CVM
e pelas próprias bolsas e estão habilitadas, dentre outras atividades nos
mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com
exclusividade no pregão físico (viva voz) ou eletrônico das bolsas.
Os Investidores
São indivíduos ou instituições
que aplicam recursos em busca de ganhos a médio e longo prazos, que operam nas
bolsas através de corretoras e distribuidoras de valores, que executam suas
ordens e recebem corretagens pelo seu serviço.
Mercados a Vista e de Derivativos
As operações em bolsa são
efetuadas nos mercados à vista
– no qual compradores e vendedores estabelecem um preço para
um lote de ações a ser entregue e pago no prazo determinado, atualmente D+3,
a termo - onde as partes fixam um preço para liquidação físico-financeira
da ação em prazo futuro determinado e de opções de compra ou venda
- no qual as partes negociam o direito de comprar/ vender a ação a preço
e prazo futuro determinados.
O recinto físico ou eletrônico de negociações é chamado de pregão.
A Escolha da Ação
O processo de escolha da ação é
a mesma para qualquer investidor - pessoa física, jurídica ou institucional.
As ações sob a óptica de investimento, ou seja, como o emprego de capital com
o objetivo de obter ganho(s) a médio e longo prazos, em oposição a resultados
imediatos podem ser divididas em:
A Dinâmica das Operações em
Bolsa
Tipos de Ordem
Quando o investidor transmite sua
ordem a uma corretora junto à qual é cadastrado, esta tem o dever de executá-la
prontamente ao melhor preço disponível - é a ordem a mercado. Esta é
a ordem mais comum, mas há várias outras modalidades. O investidor pode, por
exemplo, fixar um preço determinado ou melhor para sua execução - é a ordem
limitada. Ou poderá fixar apenas a quantidade de títulos, dando uma
ordem administrada à corretora que a executará a seu critério.
A fim de limitar prejuízos, o investidor pode dar a ordem fixando um preço
limite que, se alcançado pela evolução das cotações, torna a ordem a
mercado - é a ordem de "stop".
Há também a possibilidade de vincular a execução de uma operação à execução
de outra previamente definida e oposta (compra versus venda), no mesmo ou em
diferentes mercados - é a ordem casada, que só se efetiva se executadas as
duas ordens. De forma similar, há a ordem de financiamento, na qual o
investidor determina a tomada de posições opostas, também no mesmo ou em
outro mercado, porém com prazo de vencimento distintos.
O investidor pode também fixar o prazo de validade de sua ordem, através da ordem
válida para o dia ou da ordem válida por prazo determinado -
expirado o prazo, a ordem é cancelada. Há, ainda, a ordem válida
por prazo indeterminado, cuja validade só termina com a execução ou
cancelamento da ordem.
Por fim, o investidor pode confiar sua carteira de títulos a um administrador,
pessoa física ou jurídica, o qual emitirá uma ordem discricionária,
pela qual estabelece condições para sua execução agregada a outras,
efetuando posteriormente a identificação de titulares, lotes e preços.
Execução
O intermediário financeiro dispõe
de profissionais especializados, capacitados a dar orientações sobre
investimentos, receber ordens dos investidores e transmití-las aos
operadores qualificados por ela mantidos nos pregões físicos das Bolsas, ou
ainda encaminhá-las para o pregão eletrônico, o qual também pode ser
acessado diretamente pelos clientes das Corretoras através dos Home Brokers.
Liquidação
Executada a ordem, tem lugar a
liquidação física e financeira, processo pelo qual se dá a transferência da
propriedade dos títulos e o pagamento/ recebimento do montante financeiro
envolvido, dentro do calendário específico estabelecido pela bolsa para cada
mercado.
No mercado à vista, vigora o
seguinte calendário de liquidação:
D+0
- dia da operação;
D+1
- prazo para os intermediários financeiros especificarem as operações por
eles executadas junto à bolsa;
D+2
- entrega e bloqueio dos títulos para liquidação física da operação, caso
ainda não estejam na custódia da CBLC;
D+3
- liquidação física e financeira da operação
A liquidação é realizada através
de empresas de compensação e liquidação de negócios, que podem ser ligadas
à bolsa ou independentes. A BOVESPA utiliza a CBLC – Companhia Brasileira de
Liquidação e Custódia - para liquidar as operações realizadas em seus
mercados. As corretoras da BOVESPA e outras instituições financeiras são os
agentes de compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações
que executam para si ou para seus clientes.
Indicadores e Índices do Mercado
As bolsas de valores, coletam,
organizam e divulgam uma série de informações sobre os negócios realizados
em cada pregão. Os principais indicadores referem-se a preços e volumes das ações
negociadas, que traduzem a liquidez do mercado. São elaborados também índices
que mostram o comportamento do mercado como um todo ou segmentos específicos.
O Ibovespa é o índice que acompanha a evolução média das cotações
das ações. É o valor atual, em moeda corrente, de uma carteira teórica de ações,
constituída em 1968, a partir de uma aplicação hipotética. A carteira teórica
é integrada pelas ações que, em conjunto, representaram 80% do volume
transacionado a vista nos doze meses anteriores à formação da carteira. Para
que sua representatividade se mantenha ao longo do tempo, é feita uma reavaliação
quadrimestral, alterando-se a composição e peso da carteira.
Considerando-se seu rigor metodológico e o fato de que a BOVESPA concentra mais
de 90% dos negócios do país, trata-se do mais importante índice bursátil
disponível, permitindo tanto avaliações de curtíssimo prazo, como observações
de expressivas séries de tempo.
O Ibovespa é uma ferramenta indispensável para quem investe em ações, quer
para acompanhar o mercado, quer para avaliar comparativamente o desempenho de
sua própria carteira.
A BOVESPA divulga também o IBX-Índice Brasil,
índice que mede o retorno de uma carteira de ações integrada pelas 100 ações
mais negociadas e o IEE, índice setorial, que mede o desempenho
das ações do setor elétrico.